{"id":5657,"date":"2020-09-01T11:48:40","date_gmt":"2020-09-01T11:48:40","guid":{"rendered":"http:\/\/sindiquimicabr.com.br\/?p=5657"},"modified":"2020-09-01T11:52:09","modified_gmt":"2020-09-01T11:52:09","slug":"entenda-por-que-o-brasil-divulga-o-pib-mais-tarde-que-outros-paises","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindiquimicabr.com.br\/index.php\/2020\/09\/01\/entenda-por-que-o-brasil-divulga-o-pib-mais-tarde-que-outros-paises\/","title":{"rendered":"Entenda por que o Brasil divulga o PIB mais tarde que outros pa\u00edses"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"news-subheadline\">O Brasil s\u00f3 conhecer\u00e1 o tamanho do estrago provocado pelos piores momentos da pandemia em sua atividade econ\u00f4mica no dia 1\u00ba de setembro<\/h4>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive \" src=\"https:\/\/media-manager.noticiasaominuto.com.br\/1920\/naom_5ecbb65b162b5.jpg\" alt=\"Entenda por que o Brasil divulga o PIB mais tarde que outros pa\u00edses\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"news_capital_letter\">R<\/span>IO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; No dia 29 de julho, o mundo ficou sabendo que a economia dos Estados Unidos despencou 9,5% no segundo trimestre. No dia seguinte, foi a vez da Alemanha apontar os efeitos da pandemia do coronav\u00edrus em seu PIB (Produto Interno Bruto), que caiu 10% no per\u00edodo. No Reino Unido, os dados foram divulgados na semana passada: recuo de 20,4%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil, por\u00e9m, s\u00f3 conhecer\u00e1 o tamanho do estrago provocado pelos piores momentos da pandemia em sua atividade econ\u00f4mica no dia 1\u00ba de setembro, quando o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) divulga o resultado do PIB do segundo trimestre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O atraso em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses \u00e9 habitual e n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com eventuais efeitos do isolamento sobre coleta dos dados. Segundo especialistas, reflete principalmente duas coisas: a estrat\u00e9gia de divulga\u00e7\u00e3o do IBGE, que j\u00e1 solta dados mais completos e definitivos, e a falta de acesso a dados da Receita Federal, que poderiam agilizar a coleta dos dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O FMI (Fundo Monet\u00e1rio Internacional) recomenda que os dados referentes ao PIB trimestral seja divulgados em at\u00e9 90 dias ap\u00f3s o fim do trimestre. Enquanto os Estados Unidos, por exemplo, costumam divulgar dentro dos primeiros 30 dias, o Brasil geralmente o faz entre os 45 e 60 dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o IBGE, o Brasil \u00e9 um dos seguidores do NAS (Sistema Nacional de Contas), um modelo produzido e renovado pela divis\u00e3o de estat\u00edsticas da ONU, e deve divulgar seus resultados sempre em 60 dias ap\u00f3s o fim do trimestre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O instituto explica que a divulga\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses antes do Brasil se deve pela natureza econ\u00f4mica de cada um. Em locais mais desenvolvidos, o grau de informalidade \u00e9 muito baixo e os dados do PIB s\u00e3o constru\u00eddos por meio de registros administrativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, essas na\u00e7\u00f5es conseguem ter dados prontos em um per\u00edodo mais curto de produ\u00e7\u00e3o. Em pa\u00edses como o Brasil, que tem muita informalidade, os registros existentes n\u00e3o s\u00e3o representativos do conjunto da economia e \u00e9 necess\u00e1rio dar \u00eanfase a pesquisas diretas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O IBGE ainda apontou que v\u00e1rios pa\u00edses utilizam uma t\u00e9cnica de modelagem para produzir o PIB e assim se economiza na produ\u00e7\u00e3o do indicador. Na Alemanha, por exemplo, isso \u00e9 v\u00e1lido porque a economia \u00e9 diferente da brasileira, mais desenvolvida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, se considera mais apropriada a coleta de dados em vez de um modelo pronto pelas desigualdades econ\u00f4micas existentes entre as pessoas e regi\u00f5es e tamb\u00e9m o tamanho continental do pa\u00eds, com empresas grandes e pequenas espalhadas pelo territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ex-presidente do IBGE Roberto Olinto, que j\u00e1 foi membro de conselho das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o tema, diz que h\u00e1 diferen\u00e7as entre os modelos de divulga\u00e7\u00e3o do Brasil que explicam parcialmente o atraso em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos e pa\u00edses da Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui, diz, o IBGE optou por fazer uma \u00fanica divulga\u00e7\u00e3o, com resultados mais definitivos e menos pass\u00edveis de revis\u00f5es, al\u00e9m de um n\u00edvel de desagrega\u00e7\u00e3o maior. Nos pa\u00edses em que a divulga\u00e7\u00e3o \u00e9 mais r\u00e1pida, s\u00e3o dados preliminares e agregados. Depois, em momentos posteriores, os dados s\u00e3o atualizados e detalhados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A diferen\u00e7a \u00e9 a quantidade de informa\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma, dizendo que o modelo brasileiro n\u00e3o fere os padr\u00f5es estabelecidos pelos organismos multilaterais. &#8220;O Brasil est\u00e1 dentro do padr\u00e3o. E divulga at\u00e9 mais coisas do que \u00e9 pedido para o PIB trimestral&#8221;, acrescenta ele, que hoje \u00e9 pesquisador do FGV\/Ibre.Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro Ibre e pesquisadora s\u00eanior da \u00e1rea de Economia Aplicada do FGV\/Ibre, explicou que, nos Estados Unidos, por exemplo, \u00e9 divulgado um PIB preliminar e depois outro um pouco mais fechado. No IBGE, \u00e9 esperado mais informa\u00e7\u00e3o antes da publica\u00e7\u00e3o.&#8221;O Brasil n\u00e3o tem esse PIB preliminar. S\u00f3 quando chega as anuais fecha mesmo, mas demora dois anos. At\u00e9 l\u00e1, \u00e9 estimativa, mas que vai sendo divulgada. No Brasil, n\u00e3o fazemos uma pr\u00e9via, n\u00e3o tem um PIB tempor\u00e1rio&#8221;, analisou a coordenadora.A tamb\u00e9m ex-presidente do IBGE Wasm\u00e1lia Bivar lembra que j\u00e1 houve divulga\u00e7\u00e3o em duas etapas no pa\u00eds, a primeira com os \u00edndices e a segunda com o PIB a valores correntes e outras informa\u00e7\u00f5es. Segundo ela, houve um esfor\u00e7o para tentar levar para a primeira data o resultado mais detalhado.&#8221;Com o tempo vimos que isso n\u00e3o seria poss\u00edvel&#8221;, conta. &#8220;E mesmo fazer duas divulga\u00e7\u00f5es foi se tornando invi\u00e1vel com os recursos dispon\u00edveis.&#8221; Olinto v\u00ea tamb\u00e9m uma raz\u00e3o cultural para a divulga\u00e7\u00e3o \u00fanica, j\u00e1 que ela reduz o ru\u00eddo provocado pelas revis\u00f5es feitas quando se divulga dados preliminares.Assim, c\u00e1lculo do PIB considera resultados de pesquisas feitas pelo pr\u00f3prio IBGE &#8211; como as que avaliam o desemprego e o desempenho dos servi\u00e7os, as vendas no com\u00e9rcio ou a produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria &#8211; estat\u00edsticas de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00f5es do Tesouro e do Banco Central, al\u00e9m de dados de ag\u00eancias reguladoras e de associa\u00e7\u00f5es empresariais.As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o coletadas e analisadas por t\u00e9cnicos especializados nos diferentes setores pesquisados e depois passam por um processo de cr\u00edtica e avalia\u00e7\u00e3o at\u00e9 a composi\u00e7\u00e3o do n\u00famero final.&#8221;Cada setorialista trabalha os seus dados e depois vai juntando e vai discutindo as incoer\u00eancias. Sai da produ\u00e7\u00e3o ao consumo para analisar a cadeia&#8221;, explica Olinto.O trabalho seria mais r\u00e1pido, diz ele, se o IBGE tivesse acesso a uma gama maior de registros administrativos, principalmente dados da Receita Federal sobre empresas, que s\u00e3o negados sob o argumento do sigilo. Esses dados poderiam substituir coletas que hoje s\u00e3o feitas por e-mail e question\u00e1rios eletr\u00f4nicos, por exemplo.Se quiser mesmo entrar na OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico), o grupo dos pa\u00edses ricos, o Brasil ter\u00e1 que fazer altera\u00e7\u00f5es em seu sistema estat\u00edstico e garantir acesso do IBGE \u00e0s informa\u00e7\u00f5es da Receita Federal, um dos requisitos para que o pedido de ades\u00e3o feito pelo pa\u00eds em 2017 seja aceito.Olinto diz que esse ser\u00e1 um grande avan\u00e7o e defende maior amplia\u00e7\u00e3o do sistema. &#8220;Por exemplo, a nota fiscal eletr\u00f4nica pode fazer uma revolu\u00e7\u00e3o na estat\u00edstica no Brasil. A integra\u00e7\u00e3o da nota fiscal eletr\u00f4nica com o sistema estat\u00edstico agilizaria barbaramente a produ\u00e7\u00e3o de estat\u00edstica&#8221;, diz.A falta de acesso a registros administrativos o \u00e9 apontada como uma dificuldade tamb\u00e9m para a produ\u00e7\u00e3o do censo demogr\u00e1fico, hoje alvo das restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias. Ao justificar o corte de 25% no custo da pesquisa, em 2019, a presidente atual do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, disse que iria fomentar o uso desse tipo de informa\u00e7\u00e3o.S\u00e3o dados da Receita, de cart\u00f3rios, do sistema de sa\u00fade ou da Pol\u00edcia Federal. Mas, al\u00e9m da quest\u00e3o do sigilo, t\u00e9cnicos do IBGE e especialistas veem obst\u00e1culos como o baixo n\u00edvel de informatiza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e a grande descentraliza\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es.Respons\u00e1vel pelo corte no question\u00e1rio do censo, o economista Ricardo Paes de Barros disse \u00e0 Folha h\u00e1 um ano que parte das perguntas cortadas seriam respondidas por esse tipo de informa\u00e7\u00e3o. A pesquisa seria realizada este ano, mas foi adiada ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia e agora corre o risco de novo adiamento para que o dinheiro seja transferido para outros minist\u00e9rios.O modelo de divulga\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas passa por avalia\u00e7\u00f5es do FMI, que analisa quest\u00f5es como periodicidade, transpar\u00eancia e cumprimento de padr\u00f5es de qualidade. O fundo tem quatro classifica\u00e7\u00f5es de pa\u00edses, conforme o tipo e a qualidade das informa\u00e7\u00f5es produzidas pelos seus sistemas estat\u00edsticos.Desde 2019, o Brasil faz parte de um grupo de 24 pa\u00edses que segue o padr\u00e3o mais avan\u00e7ado, ao lado de Chile, Estados Unidos, Canad\u00e1, Jap\u00e3o e pa\u00edses europeus.PIB deve cair 8,8%, diz FGV-Ibre O IBGE vai divulgar o PIB do segundo trimestre nesta ter\u00e7a (1\u00ba). Silvia Matos, do FGV-Ibre, disse que a expectativa \u00e9 uma contra\u00e7\u00e3o de 8,8% na compara\u00e7\u00e3o com os tr\u00eas primeiros meses do ano.Segundo ela, o resultado menos pior no Brasil do que em outros pa\u00edses tamb\u00e9m afetados pela pandemia se deve, entre outros fatores, pelo excesso de est\u00edmulos do governo, tanto na \u00e1rea monet\u00e1ria como fiscal, que criaram uma rede de prote\u00e7\u00e3o social e evitaram uma recess\u00e3o mais profunda.&#8221;Quando comparamos o Brasil nas pol\u00edticas de est\u00edmulo, foi diferente da m\u00e9dia da Am\u00e9rica Latina pois fizemos mais. Nossas pol\u00edticas ficam mais pr\u00f3ximas dos pa\u00edses ricos do que dos pa\u00edses de renda m\u00e9dia, fizemos bastante dadas as nossas caracter\u00edsticas&#8221;, disse Silvia.A pesquisadora acrescentou que o consumo das fam\u00edlias, que vinha sendo base da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ap\u00f3s a recess\u00e3o iniciada em 2014, caiu quase 11% no segundo trimestre, o que parece muito, mas seria muito mais sem as pol\u00edticas de est\u00edmulo. &#8220;Fizeram um efeito sobrenatural&#8221;, apontou.De acordo com o boletim Macro do FGV\/Ibre, A Europa tamb\u00e9m se destacou nesse item, pela intensa coordena\u00e7\u00e3o nas pol\u00edticas de est\u00edmulos fiscais. J\u00e1 nos Estados Unidos, a demora no acordo sobre a renova\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios e um ambiente pol\u00edtico conturbado, devido \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais, podem impedir uma acelera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida da atividade no pa\u00eds.Segundo a FGV, em termos acumulados, a queda do primeiro semestre ser\u00e1 de 11,1%, um recorde hist\u00f3rico de acordo com os dados do Monitor do PIB, que carrega resultados desde 1980.De acordo com Silvia Matos, o terceiro trimestre deve mostrar recupera\u00e7\u00e3o, mas a expectativa ser\u00e1 para o futuro com a diminui\u00e7\u00e3o e fim gradual dos est\u00edmulos e tamb\u00e9m se o emprego vai voltar a crescer &#8211; quase 9 milh\u00f5es de postos de trabalho foram perdidos no Brasil no segundo trimestre.&#8221;A Europa tem mais capacidade de estender por mais tempo [os est\u00edmulos], mas o Brasil tem o cobertor curto, precisa fazer mudan\u00e7as na estrutura&#8221;, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Fonte:<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1630051\/entenda-por-que-o-brasil-divulga-o-pib-mais-tarde-que-outros-paises\"> Noticias ao Minuto<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil s\u00f3 conhecer\u00e1 o tamanho do estrago provocado pelos piores momentos da pandemia em sua atividade econ\u00f4mica no dia 1\u00ba de setembro RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; No dia 29 de julho, o mundo ficou sabendo que a economia dos Estados Unidos despencou 9,5% no segundo trimestre. 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